Ganância, ambição e vaidade os males da personalidade humana são. Grande parte do comportamento humano pode ser explicado através da análises desses três caracteres. Aqui, neste ensaio, vamos nos centrar no terceiro pois acredito que os dois primeiros servem de alimento para ele. A vaidade é indubitavelmente o mais arraigado dos sombrios aspectos que define as atitudes e o modo de ser de todas as pessoas. A vaidade é cultivada a cada dia, a cada instante, a cada ato pessoal pelas pessoas, sendo mais intensa nas pessoas mais fracas e rudes. O entendimento de como funciona o modo de viver, as relações inter-pessoais, e o resultado que se pode alcançar com os diversos posicionamentos nos diversos momentos da vida constitui a sabedoria fundamental para viver bem, e a falta desse conhecimento, no todo ou em partes, favorece o cultivo da vaidade em gradação cada vez maior pelos indivíduos com essa falta de saber ou simpliesmente rudes. Por a vaidade ser inversamente proporcional a essa sabedoria de vida anteriormente descrita, os indivíduos acabam por dirigir as suas ações, por mais banais que sejam, por ela.
Sobre a origem da vaidade, ela é na verdade o termo dado a falta de humildade, sendo pois a sua antitíse. Então, quando não há humildade o que há é a vaidade. A pessoa humilde reconhece a sua condição perante o mundo, a vaidosa não reconhece e busca se colocar sempre acima. Sendo assim, a origem da vaidade está na falta de humildade.
Não parece ao senso comum, satisfatória a vida na humildade constante. Há então que se questionar ao inconsciente coletivo a formação da idéia contrária à humildade plena, se a sua negação é inata aos homens ou se é culturalmente adquirida. Antropologicamente, este é um trabalho denso pois a maioria dos aspectos individuais impactantes no conjunto das relações culturais de um grupo podem se fundamentar na vaidade.
Para a maioria de nós, notadamente após a modernidade, a tendência a negar que humildade e vaidade sejam caracteres antagônicos de uma personalidade, o que é um sintoma da época em que vivemos onde a imagem foi elevada a condição de dogma e ocorre uma espécie de culto às melhores e mais bem posicionadas personalidades em todos os níveis.